quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Saudades da minha avó

Sempre tive saudades da minha avó. Sempre penso nela. Faz 6 anos e meio que ela foi embora e ela faz uma falta danada. Gostaria demais da conta que ela estivesse aqui agora para compartilhar as coisas que estou vivendo e vivi; tenho certeza de que ela estaria muito orgulhosa e claro, me enchendo de conselhos. Eu sou a sexta neta de todos da Dona Ercília, a terceira menina, a segunda filha da filha. Eu achava isso caxias e antiquado, mas como os filhos das filhas são paparicados! Eu sempre fui o xodózinho da vovó, porque minha prima mais velha já era adolescente quando eu nasci e minha outra prima, a Juliana (que nem tenho contato), não era muito próxima. Eu vivia visitando minha vó, praticamente morei com ela uma época, ela foi muito presente em minha vida. Era muito bom estar com ela, lembro que quando eu era pequena, era um sofrimento pra mim e meus primos irmos embora da casa dela.
Minha vó era daquelas BEM vó mesmo, mimava os netos, não sabia mais o que fazer para agradar. Comprava doces, fazia as comidas que gostávamos. Eu era ruim pra comer, mas adorava sopa. Minha vó ia lá e fazia uma sopa melhor que a outra. Eu adorava creme de leite. Minha vó abria uma lata pra eu comer de colher com minha prima Pratrícia.
Uma vez eu cismei que queria um cachorro, mas minha mãe não deixava eu ter um. Marcamos um encontro com a minha vó numa praça, e lá estava ela com uma caixona de leite, coberta. Me disse que era um presente. Quando abri, eis que encontro uma pata! Uma pata amarela, que se pos a fazer "quack, quack" e a correr. A batizei de Roberta, em homenagem a uma amiga. Levei a Roberta pra casa (ou melhor, apertamento), bem inacreditável, mas bem coisa de vó. Quando conto ninguém acredita que ganhei uma pata de presente e que a criei por uns dias no apartamento, mas fiquei tão feliz com o presente de vovó que nunca o esqueci.
Foram diversas expressões de carinho, cartões, lencinhos bordados por ela, que guardo até hoje. Quando eu era pequena e estava aprendendo a ler, minha vó me ajudava, com uma brincadeira de achar palavras na rua. Minha mãe parava o carro pra comprar alguma coisa (muitas vezes na rotisserie Pavan, não esqueço, ou nas lojas Nipon) e eu ficava no carro esperando com a minha vó. Ela escolhia uma palavra na paisagem, um letreiro ou algo do tipo e eu tinha que achar a palavra, nos divertíamos muito. Talvez isso tenha colaborado pra mania que eu tenho de observar todos os caminhos por onde passo e também de ler as placas dos carros.
Os conselhos de vovó também eram os melhores. Leoa por natureza, terminou de criar os 5 filhos sozinha e o fez bem, protegendo e cuidando da cria. Com os netos não poderia ser diferente. Minha avó dizia que os homens não prestavam, pra não deixar nenhum homem encostar em mim e que não era pra namorar os meninos. Sempre dou risada quando lembro disso, e sempre penso em como ela reagiria acompanhando e conhecendo meus namoros, será que ela levaria numa boa? E meu casamento de uma hora pra outra? Queria saber...
Queria muito que minha vó tivesse acompanhado minhas conquistas, estivesse aqui comigo agora, me ajudando a planejar minha festa de casamento, participasse da minha formatura da faculdade, conhecesse o Otto... sei que ela assiste tudo e ainda cuida de mim, porque a sinto por perto... mas a saudade é grande, penso nela sempre e cada vez mais, quanto mais o tempo passa, mais saudade dela eu sinto...

TE AMO, VÓ!

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