segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Gostei e postei

Era uma vez um sapo e um escorpião que estavam parados à margem de um rio.
- Você me carrega nas costas para eu poder atravessar o rio? - perguntou o escorpião ao sapo.
- De jeito nenhum. Você é a mais traiçoeira das criaturas. Se eu te ajudar, você me mata em vez de me agradecer.
- Mas se eu te picar com meu veneno - respondeu o escorpião com voz terna e doce - morro também. Me dê uma carona. Prometo ser bom, meu amigo sapo.
O sapo concordou.
Durante a travessia do rio, porém, o sapo sentiu a picada mortal do escorpião.
- Por que você fez isso, escorpião? Agora nós dois morreremos afogados! - disse o sapo.
E o escorpião simplesmente respondeu:
- Porque esta é a minha natureza, meu amigo sapo. E não posso mudá-la.

Esta pequena fábula de origem remota, sempre foi pra mim a história mais assustadora do mundo. Quais são as coisas que me amedrontam? A mentira e a traição.
Evani, minha grande amiga, sempre me diz que quem trai e mente, faz isso a vida toda. E eu sempre discordo dizendo que as pessoas podem mudar. Ela insiste: "Helô, um vampiro sempre será um vampiro". E eu contesto: "Dá pra desvampirizar".

Trecho do conto "Medo de Espelhos", de Heloisa Prieto.

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