domingo, 6 de dezembro de 2009

O tarado e a calcinha

Pra começar, explico: meu apelido para alguns amigos é Forest Gump, porque eu sempre tenho uma história mais louca que a outra pra contar. Mas não tenho culpa, as histórias loucas que me seguem (ou eu ando demais). Sempre acontece algum bafafá onde eu moro, trabalho, estudo ou com algum parente. Sei que a mais recente, que aconteceu mês passado foi a do tarado de calcinha. Pra entender: há uns meses algumas mães andam reclamando de um cara que fica rondando a escola e mexendo com as crianças. Falamos com a direção da escola, que contatou a ronda, que disse não poder fazer nada se não houvesse flagrante. Achei o fim da picada a "solução" tomada, mas pior ainda o cara que ficava mexendo com as crianças. Uma das mães veio conversar comigo e disse que o cara ficava abaixando a calça e que estava usando uma calcinha vermelha. Tem doido pra tudo, né? Sei que os dias passaram e nada, o cara parecia ter sumido. Aí um dia eu estava voltando do almoço e vi o tal tarado da calcinha, embaixo da passarela, de calça de moletom. Toda vez que passava uma criança indo pra escola, ele abaixava a calça e estava de calcinha branca, eu mereço... pena que tive que ver isso, porque foi zuado. Cheguei na escola e já tinham várias mães reclamando do tal tarado, chamaram a polícia e tudo. Nisso o cara sumiu e a polícia foi embora também. Uma mãe mais revoltada lá da escola não desistiu, ficou andando pelos quarteirões perto da escola procurando o tal tarado até achar. E não foi que ela achou? Ele entrou numa oficina mecânica pra tentar vender uma ferramenta que ele diz ter achado, ela foi atrás, avisou os mecânicos que ele era o tarado que estavam procurando e... os caras se juntaram e deram um pau bem dado nele. Saíram correndo atrás dele e batendo, o cara atravessou a Radial Leste no meio dos carros, fugindo dos caras. Acho que ele devia ter pensado que era melhor morrer atropelado do que levando porrada dos mecânicos armários... no fim a polícia chegou e pegou o cara, todo estropiado, e levou pro hospital, pra depois levar pra delegacia. Onde eu entro nisso? Estava eu trabalhando quando a mãe que foi atrás do tarado aparece e me chama, dizendo que a polícia estava atrás de mim, porque eu fui uma das testemunhas que vi ele abaixando a calça e mostrando a calcinha, que ela viu que eu vi e deu meu nome na delegacia. Dei uma olhada e lá estava a viatura, me esperando. Parecia até que eu era a tarada da calcinha. Só me restou ir pra delegacia também, fazer o que. Aí foi, ei, ei, ei, todo mundo pra DP e tal, chegando lá demos nosso depoimento, o cara chegou todo quebrado (deu até dó, admito, mas porque ele tinha que mexer com a molecada?). O resultado do pau: dois braços quebrados, muitos hematomas e machucados. Sei que fiquei simples 6 horas na delegacia para o cara ser solto! Ele já tinha ficha, umas três passagens, uma por atentado violento ao pudor e foi solto... aí você pensa, justiça não existe mesmo, o negócio é rezar para nada acontecer com alguém que a gente ame muito, porque a justiça não vai funcionar. Tudo bem que meu depoimento não ajudou muita coisa, na verdade nem sei porque me chamaram pra depor, mas o depoimento da mãe foi bem substancioso, com detalhes, mas de nada adiantou, o cara foi solto. Pela ficha vimos que ele é mineiro e morador de um albergue. Semanas atrás a mesma mãe viu o cara pelas ruas do Glicério, livre, leve e solto. Pensaram que iam encaixar o cara na lei anti-pedofilia, mas não foi o que aconteceu. O que restou mesmo foi pedir atenção redobrada das mães e que, se possível, elas acompanhassem os filhos até a escola, ou pagassem alguém pra levar, ou colocassem na perua escolar, ou pedissem pra vizinha trazer, porque ficou o medo de um dia ele voltar para as redondezas da escola e pegar alguma criança... seria uma tragédia anunciada, mas que a gente não pode fazer nada, as crianças tem pais, mães, avós ou tutores respónsáveis. Essa é a parte ruim de trabalhar com crianças, principalmente quando você mexe com uma população com algum nível de carência, você quer pegar no colo e criar, comprar roupas, cuidar, dar carinho... o que eu posso fazer é dar atenção, conversar, mas mesmo assim é bem difícil. Rezo muito por eles, sempre, porque a gente se apega, não tem jeito.

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