segunda-feira, 22 de março de 2010

Caso Isabella Nardoni

Hoje começou um dos julgamentos mais esperados dos últimos tempos, o do casal Nardoni. Agora o negócio é acompanhar sites e programas sensacionalistas para ter notícias do andamento do caso. Eu não tenho ponto de vista formado quanto este caso, não sei se me custa acreditar que um pai faria tal agressão com a própria filha ou uma mulher que também é mãe fazer isso com uma criança quase do tamanho dos filhos dela. Não sei se é porque sou madrasta também e não me imagino encostando no Thomas. Além dele não ser meu filho, eu não bato nem no Max, Otto é a prova viva disso. Pra mim custa acreditar que alguém abusa de uma criança, bate, agride, molesta, mata. Eu tenho um fiozinho de esperança de que eles não fizeram isso com a pequena. Eu sinto muito pela mãe dela, porque encontrando um culpado, prendendo alguém, até matando, qualquer punição, nada disso vai trazer a filha dela de volta e isso é o mais doído dessa história toda. Um culpado deve ser encontrado, a justiça deve ser feita. Um fundinho em mim pensa na inocência desse casal, mas é mais por esperança do que por realidade, os fatos são muito reais e pior, cruéis. Um lugarzinho bem escondido da minha cabeça tenta encontrar uma saída para um ato tão cruel, sei lá, como aconteceu com uma menina ano passado, se não me engano. A mãe de uma menina de 3 ou 4 anos colocou a criança pra dormir e desceu pra encontrar um namorado, buscar uma pizza, fazer algo rapidamente. A menina acordou e ficou desesperada quando se viu sozinha em casa. Ela foi pra janela, que tinha rede de proteção, fez um buraco cortando a rede com algum objeto da casa e se enfiou na abertura, gritando pela mãe. Nisso, ela escorregou e caiu, morrendo. Deve ter sido uma dor horrível para a mãe, que vai carregar essa culpa para sempre, mas foi um acidente, ninguém matou, ninguém pensou em ferir a menina, não foi um crime e sim uma tragédia.

Eu sou madrasta há 7 anos. Fui boadrasta do Victor por 4 anos. Ele é uma criança maravilhosa que me ensinou muito, me amadureceu de uma forma maravilhosa. Ele tem uma mãe linda e inteligente, que soube lidar com o ciúme de mãe (porque deve dar ciúme, eu admito que teria) e no fim não apenas se entendeu comigo como virou uma grande amiga, uma confidente. Faz mais de 2 anos que me separei do pai do Vi e falo toda semana com a mãe dele. A família materna do Vi é especial, adoro a mãe, a vó e claro, amo muito o pequeno, que hoje tem 10 anos. Se você perguntar para ele se eu já encostei nele, pode ter certeza que a resposta será não, assim como não tenho um A para falar mal dele, ele é um menino maravilhoso. Desde de 2007 sou boadrasta do Thomas, filho do Otto. Ele é uma criança meiga, carinhosa, inteligente, tenho um amor muito grande por ele. Não me dou nada bem com a mãe dele, mas picuinha à parte, juro que tentei. Nos falamos uma única vez na vida e ela me tratou super mal. Ela me detesta, dizem as más línguas que ela tem muito ciúme do filho, outras línguas mais más ainda dizem que ela ainda gosta do Otto. Independente do motivo dela me tratar tão mal e não gostar de mim, não deixo isso afetar meu relacionamento com o Thomas. Sei que ele não é meu filho e ele sabe muito bem que não sou a mãe dele e isso é o que importa. Somos grandes amigos e além disso nem quero ser mãe dele porque com isso só faço as coisas legais com ele, olha como é bom! A gente só passeia, eu não tenho que dar bronca nele, brincamos juntos, viajamos. Como nos vemos quinzenalmente, quando ele chega estou verde de saudade e com um pique daqueles, só nos resta tempo pra brincar, ver filmes, passear com o Max, jogar bola. Nessa viajada master que eu dei no assunto, não entra na minha cabeça que uma mulher agrediria uma criança por causa do ciúme da mãe. Eu já tive invejinha da mãe do meu enteado por ela ter dado um filho tão lindo e bonzinho como o Thomas pro Otto, mas isso passou porque o Thomas é meu pequeno amor (além de ser a CARA do Otto) e também porque Otto me pede um neném desde que a gente começou a namorar, antes de morarmos juntos. Ele viaja pensando no nosso filhote e já incluímos o Thomas em todos os planos, como ficará a mobília do quarto dos meninos, os passeios, pensando no irmão coruja que o Thomas vai ser. Apesar de todas as merdas que a mãe dele fala pra ele, que a gente não gosta dele, que ela me odeia, que meu filho não será irmão dele, entre outras pérolas eu procuro não me abalar. No começo, com meus 21 anos, tudo me doía. Depois eu vi que ela queria isso, que eu me chateasse, então desencanei. Hoje (e há muito tempo) sou muito feliz com o Otto e com a família que temos. Como o Thomas diz, ele é filho do Otto e o Max é meu filho, né? Ou melhor, semana passada fui comprar ovos de Páscoa com Otto e uma senhora perguntou se ele tinha filhos e ele respondeu que tinha dois: o Thomas e o Max. Nossa família é assim, eu, Otto, Thomas e Max, por enquanto. Temos planos, somos felizes, nos entendemos assim. Os finais de semana sem o Thomas ficam a saudade, os que ele vem ficar com a gente é uma alegria sem igual, ele já vem perguntando do Max já no carro. Em casa tem várias fotos do pequeno espalhadas, pra ajudar a matar a saudade.

Com isso tudo, pensando no amor que tenho pelo Thomas, que tenho que Victor, na vontade que tenho de ser mãe, mesmo que mais pra frente, fica difícil entrar na minha cabeça que uma madrasta que tinha fotos abraçadas com a enteada e que na noite da morte da menina aparece num vídeo de um supermercado de mãos dadas com um dos filhos e a menina, deixando um dos próprios filhos sem mão para dar. Quer dizer, ela parecia gostar mesmo da menina, porque fingir por anos é impossível, por mais pentelha que mãe da menina tenha sido (não que ela tenha sido) seria estranho ela estourar assim do nada. O avô paterno pagava a pensão da menina, se o pai não quisesse ver a filha, era só não pegar, simples. Duvido que a mãe fazia muita questão do pai ter contato com a filha sendo que ela tinha uma família unida e disposta a cuidar da menina quando a mãe precisasse. Se a madrasta não gostasse da menina era só encher o ouvido do cara de pentelhações que ele largava mão de ver a menina. Eu como madrasta de segunda viagem conheço, tem fds que o pai está cansado e fica com preguiça de pegar a criança e a gente dá aquele incentivo que falta, "vamos lá, amor, pegar o pequeno para passear!". Se a mãe da menina incomodava a madrasta de alguma forma, é simples, hoje em dia se o ex casal não consegue se dar bem nem amarrado, os assuntos da criança podem ser totalmente tratados entre advogados, conheço casos assim, apesar de não achar o ideal. Quando uma mulher se envolve com um homem que já é pai, tem que estar ciente que a mãe da criança vem meio no pacote também, não tem jeito. A chave pra isso é sempre o pai, ele tem que ser o mediador, se impor para a ex, a atual e a criança, colocando cada um no seu lugar. A ex é pra tratar de assuntos exclusivos da criança. Se possível, ele deve incluir a madrasta na divisão de opiniões e também, mais difícil, ajudar a ex e a atual a terem uma relação pacífica em prol da criança, os pequenos adoram quando elas se dão bem. Já aconteceu do Thomas virar pra mim e dizer, minha mãe disse que te odeia! E eu dizer para ele, mas eu gosto dela, sabia? E ele arregalar os olhos, surpreso e feliz e dizer, sério? A madrasta também tem que se por no seu lugar, respeitando o espaço de pai e mãe, não dá pra substituir essas figuras. E a criança, o mais importante, deve estar coberta de carinho e conversas, mas sem mimos e ensinando que se deve respeitar a madrasta, independente do que a mãe acha dela. E ponto.

Eu espero, de verdade, do fundo do meu coração, que esse casal não tenha feito o que a promotoria diz com a Isabella. Eu espero que um maluco entre correndo na audiência dizendo, eu que fiz isso. Não entra na minha cabeça que um pai pode fazer um mal tão grande para uma filha, assim como uma Suzane da vida manda matar os pais, assim como um neto mata o avô por estar muito doido de cocaína...

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