sexta-feira, 28 de maio de 2010

Criando cachorros

Cachorro é um animal muito doido, só tendo um para entender. Eles são muito espertos, entendem tudo o que a gente fala, reagem a nossa voz, broncas. São carinhosos, carentes, amorosos, dependentes de nós. Sentem (muito) ciúme, ficam bravos, fazem birra quando não são atendidos. Eu tive três experiências com cachorros na vida: a Princesa, a Lua e o Max. Sempre quis ter cachorro, mas minha mãe nunca foi muito fã, ela sabia que ia dar trabalho e ia acabar sobrando muita coisa para ela.
Quando a Princesa chegou eu era criança de tudo. Tenho ótimas lembranças dela, ela era uma super companheira. Já gostava de cachorros antes dela, mas depois confirmei que eu era mesmo apaixonada por eles. Depois de alguns anos veio a Lua, presente da familia da Dani. Como cachorros sentem tudo quase como a gente, ela escolheu minha mãe como "dona". Ela gosta de todos da casa, até do Gugu, mas minha mãe é a preferida dela, elas tem tudo a ver. Já o Max é meu vagabundo, largado, combina comigo porque é relax e birrento. Na verdade ele consegue ser muito mais birrento do que eu. Com a idade ele melhorou muito, mas vira e mexe ele apronta uma daquelas, tipo comer um saco de pão (que ele pega não sei como, vou ter que colocar uma câmera aqui em casa), comer uma barra de chocolate ou ovo de páscoa, fazer xixi na cama... cachorro apronta muito por natureza, o Max consegue ser pior que o normal. O veterinário disse que ele tem o gênio do Marley, será um eterno filhote, que gosta de correr, brincar, comer de tudo, lamber. Mês que vem meu Pumba vai fazer 6 anos e continua um filhote gordo, não muda.
Criar cachorro dá trabalho de verdade, mas é recompensador. Cachorros são amorosos e adoram demonstrar o amor que sentem e em troca querem o carinho dos donos. Eu já tive gatos e os amo tanto quanto cachorros, mas não tem jeito, é mais fácil criar um gato do que um cachorro. O gato é independente e orgulhoso, gosta de um carinho, claro, mas se vira bem sozinho, gosta de ter os momentos na dele. Cachorros são grudentos. O Max consegue se superar, onde eu vou ele vai atrás. Se vou tomar banho, ele senta no chão do banheiro e me espera. Se vou lavar a louça, ele deita na porta da cozinha e fica lá, esperando. Quando saio para o trabalho, ele vai na janela e chora. Quando volto, os vizinhos (que também tem cachorros e entendem) dizem que ele chora a tarde. Quando Otto está para chegar do serviço, Max se coloca na janela e começa a chorar, pular. Dá 5 minutos e Otto está abrindo a porta, é fato. Cachorros são tão carismáticos que até Otto, que não era o super fã de cachorros, se apegou muito ao Max. Maxito o cativou com seu jeito molecão e carinhoso, tanto que Otto o chama de filho. Uma vez fomos à uma loja e Otto fez amizade com uma senhorinha, que perguntou se ele tinha filhos. Ele disse que sim, dois, Thomas e Max, na lata.
Apesar de todo esse amor (Max está aqui do meu lado, em pé, enquanto eu digito) que o cachorro te dá e que você recompensa, tem os momentos de "vou te matar". Max já comeu pote de manteiga, fez xixi na estante, quebrou copo, entre outras muitas artes. Ele pula nas visitas e lambe sem parar. Visita que não gosta de cachorro é até bem vinda em casa, mas não tranco meu cachorro por causa de ninguém, já logo aviso, tenho cachorro, ele é super manso, mas pula e lambe, você se importa? Uma vez, uma amiga de faculdade veio em casa e ela tem pavor de cachorro, e eu não sabia. Para almoçarmos, tranquei Max no meu quarto. Ele simplesmente comeu o batente da porta, na tentativa de abri-la. Max também tem medo de fogos de artifício, por isso evito deixá-lo sozinho por muito tempo. No último ano novo cheguei em casa e ele tinha ralado a porta do quarto do Thomas, medo dos fogos, conheço meu pelote.
Mesmo com as trabalheiras, meu Max compensa demais, ele adora crianças, se dá super bem com o Thomas, esquenta eu e Otto nas noites frias, adora ir pra praia (apesar de passar mal na estrada, tadinho...). Minha cunhada Lia diz que sou doida de criar um cachorro sem ter filhos (porque todos os filhos pedem um cachorro um dia, mesmo sem querer). Explico para ela que cachorros são cativantes, quando o Loiro torrar o saco dela querendo um cachorro e ela tiver que ceder (e não vai se arrepender), tenho certeza que ela será a pessoa que mais vai gostar do cachorrinho em casa.
Apesar disso, sempre tem um hijo de la pu que quer palpitar na minha vida e isso é froids. Certo dia, duas certas pessoas vieram me dizer que, o dia em que eu tiver filhos, terei que dar meu Max. Quando ouvi isso, fiquei muito ofendida, sei lá se é porque gosto muito de cachorro, se é porque amo o Max ou se porque eu não tenho filhos ainda. Sério, soou para mim como um crime, tipo, que absurdo me desfazer do Max! Ele virou membro da família, vai ao médico, toma vacinas, come direitinho (tirando os roubos de comida dele). Argumentei, discuti, tentei convencer as ditas de que cachorro é um ser muito leal, boa compania e que existe uma coisa chamada posse responsável, ou seja, nada de adotar e desfazer do cachorro como uma roupa velha que você passa para frente. Eu tentava convencer de que não teria que dar fim no cachorro, elas tentavam me convencer que eu teria que dar sim, sendo que nem grávida estou e nem cogito me desfazer do Max quando engravidar. Me diziam que o bebê ficaria com asma e rinite. Tenho rinite há anos e o Max não melhora nem piora o quadro. Depois de esquentar a cabeça, deixei o assunto para lá, pois lembrei de três coisas:
- Fato 1: as duas gracinhas não tem cachorro em casa;
- Fato 2: uma delas odeia cachorro;
- Fato 3: a outra se "desfez" do filho por um tempo, se desfazer de um cachorro para ela deve ser mole, mole.

Enfim, percebe-se que não dá para mexer muito comigo quando o assunto é o Max.
Vai fazer 6 anos que tenho meu Max e cada dia me surpreendo com algo que ele faz, aprende de novo e tenho certeza que vou continuar me surpreendendo. E claro, amando o Max cada vez mais. Espero de verdade que ele dure muitos anos, porque mesmo que ele viva muito, não será suficiente para mim...


Te amo, meu Vagabundo (sabem, o do desenho?)

E para matar a saudade: A Dama e o Vagabundo (como me lembra minha infância!)

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