quinta-feira, 10 de junho de 2010

Trabalhando com crianças

Quando você trabalha em escola, você ganha o dia várias vezes por semana. Eu trabalho com crianças de até 11 anos, fase gostosa em que a maioria é muito carinhosa, cheia de manhas e doçura. Na escola em que trabalho eu faço sucesso, modéstia a parte, muitos dizem que queria que eu fosse a diretora da escola, até parece, imaginem? Eu sou rígida, dou bronca, de coração partido, mas dou. Em contrapartida eu brinco, dou risada, converso muito com eles de tudo, de coisas boas, de passeios, de problemas. Como Thomas fica comigo e Otto aos finais de semana, eu sempre estou antenada no mundinho infantil. Conheço os desenhos, assisto Discovery Kids e Cartoon, vou aos parques de diversão, assisto os filmes de criança do momento, conheço os brinquedos. Isso me aproxima ainda mais das crianças, porque assunto é o que não falta! Minhas colegas de trabalho ou não tem filhos, ou tem filhos grandes, por isso acabo tendo mais assunto com a molecada. Tudo bem que quando entrei na escola eu não sabia nem fazer um curativo direito, curar galo na cabeça, roxos, estancar um nariz sangrando. Hoje, com minhas queridas amigas mães e com anos de escola, sei tirar de letra muitas mazelas infantis, tô quase uma técnica em enfermagem! Com essa aproximação com a molecada, eles tem liberdade para falar comigo, abraçar, dar beijo. O mais legal é que eles são delicados e detalhistas, é impressionante como eles reparam em tudo, em coisas que nós, adultos, deixamos passar na correria do dia a dia. Se corto o cabelo, eles reparam, se uso uma roupa diferente, reparam também. Quase todo dia ouço um "tia, como você está linda hoje!" ou "tia, seu cabelo tá lindo" ou ainda "que cheirosa que você está, tia!". É muito gostoso, porque eles são muito sinceros e tem aquelas vozinhas meigas de criança, fora que esses elogios vem junto com um abraço forte ou um beijo no rosto. Penso em procurar outro emprego para ganhar mais e pretendo fazer isso um dia, mas de pensar em sair da vida desses pequenos e eles da minha, claro, me dói muito. A gente acaba se envolvendo, conhece as histórias deles, os problemas. Como é uma escola estadual, temos muitos alunos carentes, ora de dinheiro, ora de amor mesmo. Hoje, no recreio, uma aluninha fofa estava chorando. Perguntei para ela o que ela tinha e ela disse que estava triste porque o irmão, que estuda com ela, não queria brincar com ela. Agachei e dei um abraço nela, bem apertado e disse para ela não chorar mais. Ela me abraçou e ficou com a mãozinha no meu ombro, com a cara enterrada nos meus cabelos, na maior manha, mas chorando de soluçar. Expliquei que o irmão dela será irmão para sempre, que em casa eles podiam brincar, para ela deixar o irmão brincar com os amigos e para ela brincar com as amiguinhas dela e tudo ficou bem. No fim ela queria só atenção mesmo, mas era uma meiguisse misturada com manha tão fofinha... uma cotoquinha de 6 aninhos muito da lindinha. Se eu for contar tudo o que acontece na escola, precisarei de muitos posts, mas por hoje está bom, depois conto mais. =D


Duas pequeninas lá da escola, foto devidamente autorizada pelas mães =)

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