segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Rotina que faz bem

Semana passada voltei a trabalhar e me surpreendi com o quanto me fez bem. Cheguei cedinho, no horário, abri a secretaria, cumprimentei pais, abracei as meninas e vários aluninhos fofos. Conversei com todos, contei como foram minhas férias, como eu estava. Sorte que o pessoal é discreto e não fica perguntando tanto da minha vida, deu pra eu explicar as coisas do jeito que eu acho melhor e acharam bom assim. Nos primeiros dias a rotina foi meio estranha, eu era acostumada com uma coisa, agora tive que me acostumar com outra. Recebia ligações o dia todo, enquanto trabalhava eu pensava o que faria de jantar. No primeiro dia foi doloroso, era inevitável não pensar, não lembrar, as pessoas perguntando, "e aí, como tá seu marido?". Mas rebolando a gente escapa e se vira, não sei ser grossa (só se estiver muito puta mesmo), porque talvez fosse bom dar logo um "foda-se, você não tem nada a ver com a minha vida". Apesar de falar pelos cotovelos, sei impor o limite, a tal linha imaginária até onde as pessoas podem ir. Só a Dri, minha grande amiga do serviço, sabe a missa verdadeira, o resto eu enrolei com um simples "conversamos e não deu certo". E pronto, acho que satisfez o povo. As crianças ajudam muito também, elas tem uma energia boa, é bom estar perto delas. Esses dias eu estava no portão e a Jamile passou por mim e me mandou um beijo. Respondi com um "linda, linda!" e ela retribuiu com um "gata, gata!" e mais dois beijinhos no ar. Ela é pequena, e os pequenos são os mais fofos. Eles abraçam, beijam, choramingam, pedem colo, são meigos, carinhosos. Dia desses o Adrian não queria entrar na escola, sem desgrudar do pai, chorando porque o pai vai passar uns meses viajando. Ninguém conseguia fazer o menino entrar na escola. Agachei, pedi um abraço e fiquei conversando com ele, da importância dele estudar (ele tem 5 anos, tadinho...) e que a escola era legal, pra ele me dar a mão que eu o levaria pra sala. Contei no caminho que um dia antes eu também não queria ir pra aula, que a tia tinha um namorado e que a gente tinha brigado. Ele ficou todo curioso, perguntando se agora eu estava bem e se eu tinha ido pra escola mesmo assim. Contei que sim, que meu irmão veio na minha casa, me pegou pela mão como estava fazendo com ele. Ele me deu um abraço e pediu para eu não ficar mais triste e ir pra escola, pediu pra gente ficar feliz. Isso porque ele tem 5 anos, sábias palavras... A faculdade tem me ajudado muito nesse processo, firmei muitas amizades, me aproximei de colegas solteiras, conheci gente nova. As matérias esse semestre estão terrivelmente chatas, mas vou sobreviver. Ando me arrumando e recebendo bastante elogios, isso ajuda pacas também! Recebo as amigas em casa, saio pra tomar uma cerveja. Às vezes tenho que driblar a bad, ela teima em se aproximar. Não é fácil, mas cada dia está sendo menos difícil, até que um dia ela vai sumir. O pessoal me aconselha, me elogia e estou enfiando isso tudo na cabeça, nem que seja a força. Descobri ter mais amigos do que imaginava, menos dinheiro do que pensava, que fase maluca! Cara... terei que aprender muita coisa com esse episódio. Essa rotina que eu reclamava às vezes está sendo melhor do que qualquer calmante ou bebedeira e sei que vou agradecer um dia por ter abrido mão de muitas noites dormindo cedo ou de muitas tardes fazendo nada em casa em troca do trabalho e estudo. Ainda bem que tenho essas ocupações, meus amigos, minha família, o Max. Não é nada fácil, mas está sendo menos difícil por conta de tudo isso que eu falei mais pra cima. É, o show tem que continuar.

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