domingo, 17 de abril de 2011

Growing up - I

Já falei antes, pessoalmente ou em outros posts, que crescer é bom, mas que é froids. Que dói. Que é difícil. Vivendo e aprendendo, já diziam nossos pais. O resultado é maravilhoso, mas a trajetória é complicada, trabalhosa pacas.

Estou com 25 anos. Há quase 4 saí da barra da saia da minha mãe. Foi difícil, ainda é às vezes. Sempre que posso estou ao lado dela, na casa dela. Mesmo assim, aprendi muito saindo da casa dos meus pais. Não sabia cozinhar, limpar a casa (ainda não sei direito), administrar contas, mas aprendi a sobreviver. No começo, cuidando de mim e (tentando cuidar) do meu ex. Depois de 3 anos, tive que aprender um novo desafio: cuidar de mim, sozinha. Claro que tenho meus pais, minha família, mas foi a primeira vez na vida em que morei sozinha, me virei. O mais difícil foi me virar sozinha e triste, administrando uma separação dolorosa.

Hoje consigo falar melhor sobre o assunto. Bem que me disseram que o dia em que eu virasse mãe, minha vida mudaria, assim como minhas prioridades e pensamentos. Só penso no meu filho, no bem estar dele, na vida que ele terá fora de mim. Hoje lembro com menos dor, menos raiva da minha separação e vejo o quanto aprendi com tudo isso. Vi também que dava muito murro em ponta de faca, sofria com maus-tratos da mãe do meu enteado e da minha ex-sogra.

Lembro que meu primeiro dia pós-separação foi surreal, parecia um sonho. Dois dias depois, chorei o dia todo e a noite saí com a Juliz. Conheci um dos sócios do Pharmácia, o "Divorciado". Vendo minha fossa de separação, me contou toda a história dele: o namoro, o casamento, as recaídas, a superação e vi que existia uma vida bem legal depois do divórcio. A Ju me animava com uma teoria, dizendo que, quando eu chegasse aos 30, poderia dizer às pessoas que era divorciada. Isso significa que alguém já me quis na vida, que eu não era uma estranha que ninguém se interessou (e eu rio muito dessa teoria louca dela).

Com um novo incentivo, muito apoio das amigas, da família, procurei me virar. Terceiro dia de separação, triste. Quarto dia, choro. Quinto dia, chega! A vida seguiu, devagar e sempre, com momentos de dor, outros de alegria, mas sem muitas esperanças. Quase duas semanas se passaram. Conheci o Bruno, ficamos amigos na hora. Achei que nunca mais refaria minha vida. Fomos nós e meus amigos para um bar. As meninas me arrumaram, me deixaram linda, mas nossos caminhos se cruzaram como amigos, não era nossa hora. Fim de semana seguinte chegou, Bruno veio de novo à São Paulo. Saímos, como bons amigos, para mais um bar. Fim de semana seguinte, Bruno mudava para Sampa, para o 34-2, minha casa.

Explico: como meu amigo e rolo da minha amiga, ele mudou para São Paulo para fazer pós. Como foi tudo de última hora (ele decidiu na quinta que mudaria para cá e precisava se mudar no domingo) e eu estava precisando muito de um roommate, tudo bateu.

Foram 26 dias morando sozinha e olha, foi difícil. Não ganhava bem, não sabia me virar muito bem sozinha, assim como não gostava de estar só eu e Max em casa, tinha medo, não me sentia segura. Quando o Bruno chegou, as coisas começaram a melhorar. Eu dava risada, pensando no que os vizinhos iam pensar. Imaginava as velhas fofoqueiras do condomínio fofocando entre si "você viu a Guaciara? Traiu o marido e já enfiou o amante em casa para morar com ela!!!". Nunca ouvi esse assunto, mas são quase 22 anos de Brás, conheço bem a vizinhança. Não tenho tempo para saber das fofocas do prédio, mas tenho certeza que algo do tipo surgiu nas bocas alheias, não podemos esquecer que língua não tem osso...

Nunca me importei com o que os outros iam pensar e fui vivendo. Às vezes o Bruno me buscava na faculdade, conversávamos bastante, jantávamos juntos, era bom. Fui me recuperando mais rápido do que imaginava, a dor passou. O medo de estar sozinha também foi embora. Dividíamos a limpeza da casa, quem cozinhava, os passeios com o Max, o pagamento das contas. Então eu vi que era uma nova fase da minha vida, uma experiência a mais: de casada passei a morar sozinha e depois a dividir apartamento com um amigo.

Um tempo depois, acabamos ficando juntos. "Casei" de novo. Ele nunca morou com ninguém, tirando a família. Mesmo nos dando muitíssimo bem, nos divertindo muito juntos, o medo da novidade e a pressão nos atrapalhou demais. Na mesma época, uma amiga querida veio dividir apartamento com a gente, a Gi, recém-separada também. Brincávamos que nossa casa era a República dos Cornos (três chifrudos morando juntos, fazer o quê!). Mesmo nós três nos dando extremamente bem, eu e Bruno já não estávamos tão bem assim e optamos por nos separar, acho que estávamos muito assustados, era muita informação, muitas mágoas para trabalharmos.

Mais uma fase chegou. Fiquei meio doida, sabe? De nenê do papai virei esposa. De esposa, virei a traída. De traída magoada, virei uma solteira que se virava sozinha. Aí, virei uma solteira acompanhada e virei uma casada de novo. Pra fechar, virei uma solteira maluca. Ufa! Eu disse que era muita informação. Tentei trabalhar da melhor forma tudo isso, mas eu precisava mesmo era de um tempo pra mim e me dei esse tempo.

No começo de novembro uma surpresa surreal: descobri que estava grávida! Chorei, fiquei desesperada. Como podia estar tudo tão louco e de cabeça pra baixo? Em três meses minha vida tinha virado do avesso e tudo era muito inacreditável pra mim. Contei com as amigas no começo, mas era duro. Pensava em como minha família ia reagir, se ficariam tristes. Pensava em como ia sustentar meu filho, educá-lo, se seria uma boa mãe. Chorava muito, de medo mesmo. No primeiro dia me assustei, mas logo eu já amava meu filho, menos de um dia depois de saber da gravidez. Foi aí que eu criei forças para amadurecer de uma vez por todas e seguir com a minha vida, afinal eu tinha a maior razão do mundo para melhorar como pessoa, como profissional e para me tornar fundamental na vida de um pequeno.

continua...

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