sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mundo cão

Ontem todos nós ficamos impressionados com a tragédia que aquele maluco causou atirando em várias crianças dentro de uma escola, depois de fingir que ia ministrar uma palestra como ex-aluno. Pelos jornais, vi que o cara tinha preferência em matar meninas, como se fosse um tipo de punição, bem típico de gente maluca. Morte é uma coisa pesada, densa, triste. Quando envolve criança, esse peso aumenta bastante. Dentro de uma escola então, pior ainda. Escola é um lugar em que sentimos que nossos filhos, irmãos, sobrinhos estão protegidos de todo o mal, quase tão seguros como se estivessem embaixo da nossa saia. É quase um lugar imaculado. É como se fosse proibido acontecer essa combinação "crianças morrerem dentro de uma escola".

Tudo bem que, recentemente, tivemos o caso daquele garotinho que morreu dentro de uma escola adventista, morto por um coleguinha que levou uma arma para a sala de aula. O caso está sendo esclarecido e foi chocante também. Mas o que o agrava esse caso do atirador do Realengo é a covardia. Ele tinha 23 anos. As mortes não foram acidentais, foram premeditadas. Morreram 11 jovens entre 12 e 15 anos.

Eu, que trabalho em escola há um tempinho, fiquei mais chocada ainda, até assustada posso dizer. O que houve na escola não foi uma falha. Quando estamos na secretaria trabalhando e alguém aparece no guichê pedindo para apresentar algo para a diretora, geralmente somos orientados a receber a pessoa, que entra na escola e tem acesso à direção. Se um maluco desse resolver aproveitar a entrada dele pra sair atirando em todo mundo, o que nos restará fazer?

Na escola em que trabalho, a freguesia não é das melhores. A região é tomada por invasões, casas populares, próxima a bairros mais pobres e com alto índice de roubos, tráfico e usuários de drogas. Mesmo assim, uma situação como a que houve ontem no Rio é surreal, praticamente impossível de acontecer (assim como a tragédia do Rio era impossível de acontecer, em minha cabeça pelo menos...). Fica aquele medo instalado, aquela sensação de impotência.

Ontem eu estava trabalhando com as meninas, quando uma colega disse que um cara tinha entrado numa escola e atirado em um monte de crianças. Pra mim essa frase foi tão sem nexo que eu nem tive reação de surpresa, era como se fosse brincadeira. Minha reação foi parecida quando eu soube do atentado de 11 de setembro, dei risada e não acreditei, até ver nos jornais e ficar chocada com toda aquela desgraça.

Entramos na internet e vimos que, infelizmente, era mesmo verdade que um maluco entrou atirando numa escola e matou várias crianças... pode parecer cruel, sem virtude, mas ainda bem que ele se matou, uma economia de tempo com processos, cadeia, alimentando e mantendo um cara doido desse, porque, vamos combinar, esse cara era esquisofrênico (no mínimo) e não teria mais cura para viver em sociedade de forma saudável.

Infelizmente a mídia está aproveitando essa confusão toda para entrevistar crianças já traumatizadas, para terem o furo de reportagem. Isso me enoja, nem assisti jornais hoje para evitar o sensacionalismo. O cara quis dar uma de atirador maluco americano e isso é um prato cheio para a urubuzada da mídia...

Fiquei feliz que o policial tentou impedir o massacre dando um tipo na perna do atirador, que logo em seguida se suicidou. Se a sociedade, a polícia e o governo derem muita moleza, não mostrarem punição alguma, mais e mais malucos farão o que o tal Wellington fez, destruindo várias pessoas, famílias, vidas, cabeças de crianças que carregarão o trauma de ver os amigos morrerem com tanta frieza.

Tava bom do mundo acabar. Em que mundo estou enfiando meu filhote...

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