domingo, 15 de maio de 2011

Começo de culpa

Não vejo a hora do Arthur nascer, de verdade. Curiosidade de ver seu rostinho, sentir seu cheiro, conhecer seu choro. Também morro de saudade da vida boemia, é tudo ao mesmo tempo. Há umas semanas fizemos o ultrasom 4D e vi que meu filhote terá bochechonas lindas, meu nariz e minha boca, o que me mata de orgulho. É gostoso ficar grávida, mas dá um trabalho... dói as costas, os peitos incham, a barriga não pára de crescer (e pesar), os pés viram batatas. Então nada mais justo do menino ser minha cara, não é mesmo? Quero muito que ele nasça e ao mesmo tempo tenho aquele sentimento egoísta de querer guardá-lo dentro de mim para todo o sempre. Trabalho com ele na barriga, vou pra faculdade, pro barzinho, pra festa, pra tudo. Meu bebê está aquecido, alimentado, sendo mimado o tempo todo no mínimo por mim, seguro. Ninguém pode machucá-lo, desfazer dele, nada. Às vezes me acho muito louca, porque quero meu pequeno só pra mim, mas ele tem um mundão inteiro pra conhecer, pessoas, lugares, uma vida imensa pela frente.

Pode parecer loucura, mas me culpo um pouco por colocá-lo num mundo tão louco, violento, com tanta informação, tantas pessoas boas e más... quero protegê-lo, colocá-lo dentro de mim de novo e cuidar para que nada de ruim lhe aconteça. Ultimamente ando rezando muito para Deus, para os santos, para que protejam e deem uma vida de alegrias e segurança pro meu filho. Eu tenho que entender que se minha mãe tivesse me prendido como quero prender o Arthur, eu seria muito, mas muito infeliz. Nasci para conhecer lugares diferentes, ter milhares de amigos de vários lugares, para aprender várias línguas e quero que meu filho faça tudo isso, se essa for a vontade dele, que ele explore tudo (de bom) que esse mundão tem a oferecer.

Fico muito agradecida por poder contar com amigas tão boas e presentes e uma família amorosa e companheira. Meu filho me tornou uma irmã melhor e uma filha mais atenciosa, compreensiva e carinhosa. Me tornei uma pessoa melhor e sou eternamente grata ao Arthur. Me tornei melhor até pra mim mesma, selecionando melhor o que ouvir, com quem andar, antes eu tolerava cada coisa... mas deixa isso pra lá.

Ao mesmo tempo em que penso em ficar 25 horas por dia com meu filhote, tenho saudade antecipada de uma vida social que vai ficar pra trás, mas que sei que logo vou recuperar, porque tenho com quem contar. Penso com pesar e tento achar soluções para essa situação, onde posso e não posso levar meu filho. Sentirei falta do cinema, do teatro, que estavam se tornando frequentes de uns tempos pra cá. Ouço músicas agitadas e sinto saudade do meu corpo magrelo, penso se voltarei a ser como antes. Me culpo de pensar assim, mas mesmo mãe coruja-babona-bestona ainda sou mulher, né? Estou fazendo planos para suprir essas encanações e tomando algumas atitudes desde já, cuidando melhor do cabelo, das unhas, das roupas (com a ajuda da minha personal stylist, dona Rita, vulgo minha mãe). Combinei com meu irmão que ele vai me ajudar a emagrecer os muitos quilos que já ganhei desde o começo da gravidez. Também estou fazendo uma lista de filmes que vou alugar para assistir na licença maternindade. A TV já está instalada de frente para minha cama, para não ter desculpa. Estou escolhendo parques, museus, roteiros de viagem que caibam um bebê, reparando se podem passar carrinhos, se os banheiros tem trocadores, comprando muitos gorrinhos, sapatinhos, roupas quentinhas para nossas aventuras. Comprei slings, para carregá-lo pra cima e pra baixo, carrinhos para poder passear com o pequeno, brinquedos, móbiles de carrinho para distraí-lo, tudo para termos ótimas lembranças do comecinho da vida do meu Arthur e para suprir a inquietação de uma mãe meio amalucada, mas muito, muito apaixonada por sua obra-prima...

Ouvindo Fidelity, da Regina Spektor (que não tem muito a ver com o post, mas vá lá)

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