sábado, 7 de junho de 2014

Não contrato fumante!

De uma pilha de currículos, sobram dois candidatos com a mesma experiência e formação. Um é fumante, o outro tem antecedentes criminais. Qual deles tem mais chances de conseguir o emprego? O fumante, certo? Não, necessariamente. Para muitos empregadores, o hábito de fumar é pior do que ter sido fichado na polícia. Foi o que revelou um estudo feito pelo Sebrae com 505 pequenas empresas. A maior restrição na hora da admissão, com cerca de 41% foi o alcoolismo. Logo atrás vieram os fumantes, com 18,2%, seguidos de pessoas com antedentes criminais, com 14,7%.

“Ninguém fala explicitamente sobre isso, mas é visível o cerco ao fumo nas empresas”, diz Luiz Panelli, da Panelli Motta, Cabrera e Associados. O assunto é delicado. As empresas não querem ver suas imagens arranhadas por acusações de discriminação, nem se envolver em questões trabalhistas, embora haja legislação no país que proíba o uso de cigarro em recintos coletivos – a menos que haja um local reservado para isso, como um fumódromo.

Companhias como a Positivo e Nokia proíbem cigarros em suas fábricas, mas afirmam que não impõe nenhuma barreira à contratação de fumantes. Se indagadas, quase todas as empresas dirão que não fazem restrição nenhuma a fumantes, mas quando participam de pesquisas, protegidas pelo sigilo, muitos empresários deixam clara aversão ao cigarro. Nada menos do que 81% dos presidentes e diretores tem restrições à contratação de fumantes, segundo pesquisa da Catho.

São raros os exemplos de companhias que estão abolindo totalmente os fumantes do ambiente de trabalho. A empresa AlfaData Solutions, localizada em São Bernardo do Campo decidiu não contratar mais fumantes. Os motivos são garantir o conforto e a saúde dos funcionários, a higiene no local de trabalho e a produtividade.

A E-Value, desenvolvedora de sites localizada em Campinas, assume o combate ao cigarro. A empresa estava recrutando programadores e colocou como pré-requisitos na internet: não fumantes, dinâmicos e que trabalham em equipe. A preferência é sempre dada para quem não tem o vício, por questões de saúde e produtividade.

O ato de acender um cigarro se tonar cada vez mais difícil no ambiente de trabalho. Na T-Systems, empresa alemã na área de TI, não há fumódromo para os funcionários. Quem quiser fumar, tem de sair do prédio.

A psicóloga e coordenadora de recrutamento da Talent Four Consulting, Tatiana Salvador, diz que o cigarro interfere na produtividade dos funcionários, afetando negativamente os resultados da companhia. Ela diz que profissionais de recrutamento não vão excluir um candidato por causa disso por ética, mas admite que tal critério pode ser usado como desempate.


Fonte: Revista Info, pág. 76, Abril/2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário