quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Relato de parto da Rafa - Parte II

A gravidez, o aprendizado e a busca pela equipe humanizada

Eu sempre quis ser mãe de uns dois ou três filhos. Quando Arthur nasceu eu tinha certeza que teria outro bebê e que não demoraria muito. Brincava com meu marido dizendo que tínhamos que ter os filhos logo para, quando tivermos uns 45 anos, estarmos com os filhos criados. Falava pra ele que quando Arthur saísse das fraldas e dormisse uma madrugada toda, que era a hora de encomendar o segundo. Arthur sempre foi um bebê lindo e mamão, mamava o tempo todo e isso resultava em noites em claro. Ele mamou até os seis meses e depois entrou com a mamadeira, que também tomava de madrugada. Eu falava pro meu marido que não queria demorar muito para ter o segundo, mas a coragem escorria pelos dedos, Arthur crescia e nada de dormir uma madrugada inteira, eu ia trabalhar parecendo uma múmia todos os dias. Quando ele fez 2 anos e 5 meses decidi dar um basta e tirar a mamadeira da madrugada. Foi difícil, um mês de muito choro, muita conversa. Comecei diminuindo a quantidade de leite na mamadeira, depois diminuí a quantidade de mamadeiras (ele tomava três por madrugada!) e depois de muito choro e tapinhas no bumbum acompanhados do famoso "xu xu xu, dorme, filho, xu xu xu" (conseguiram visualizar, rs?) ele finalmente começou a dormir a noite toda! Ah, mamadeira de água nunca funcionou com ele, o que dificultava mais ainda o processo.

O ano virou e as professoras da escolinha me falaram que estavam pensando em começar o desfralde do Arthur, perguntaram se eu seguiria o trabalho delas em casa e claro que topei! Achei que seria impossível, sempre achei Arthur tão bebezão! Para nossa surpresa, em apenas uma semana nosso menino tinha saído das fraldas durante o dia! E já fazia xixi em pé como um menino grande! De madrugada achei que ia demorar, mas me enganei de novo, em alguns dias ele saiu da fralda noturna também! Isso era mais ou menos março de 2014 e a coragem de encomendar o segundo não chegou, mas memória de mãe é ruim e logo esqueci das muitas noites em claro e das muitas fraldas trocadas, rs. Com isso, veio a vontade de ter o segundo neném e decidimos que em maio começaríamos oficialmente as tentativas.

Maio chegou, estávamos viajando e na época do tal período fértil estávamos no meio da viagem, andando o dia todo, fazendo compras, indo em parques, Arthur deixando a gente maluquinho das ideias correndo pra todo lado, meio que desistimos naquele mês. Voltamos pro Brasil e seguimos nossa vida normalmente e deixamos para junho o projeto bebê 2. Junho chegou e nem sinal de menstruar... um, dois, três dias. Decidi fazer um teste justamente por ser muito regulada, estava no trabalho e fui ao banheiro na hora do almoço. Em segundos as duas listras do teste estavam coloridas! Sorri de imediato, fiquei pensando em como contar a novidade pro meu marido. Bolei mil ideias, mas não aguentei, tirei uma foto do teste e mandei pra ele, que ficou meio em dúvida do que significava. Quando contei que teríamos outro neném ele ficou muito feliz! Em casa repeti o teste só por garantia, duas listras apareceram rapidamente. Contei para uma ou outra amiga e fiquei pensando em como contar para nossas famílias. Aproveitei a festa de aniversário do Arthur para contar, compramos cupcakes e cartões e escrevemos "Parabéns, você foi promovida a vovó em dobro!" e entregamos. Ficou todo mundo surpreso, meu pai então demorou a acreditar, achou que era brincadeira, rsrs. Foi um momento muito legal, os convidados também já ficaram sabendo, foi muito bacana!

Logo comecei a fazer o pré natal com o Dr. A. mesmo, por ser do convênio e também porque era o único que eu conhecia de imediato. Na mesma semana já fiz um ultrasom, estava com aproximadamente 6 semanas de gravidez. Arthur foi comigo e fiquei muito emocionada em já ouvir o coração do meu bebê querido... meu grão de arroz! Também fiz um monte de exames de sangue, tudo ok também. Voltei ao Dr. A. mensalmente depois disso, mas sabendo que não teria meu bebê com ele. Em todas as consultas que passamos ele me perguntava quando queria marcar minha cesárea, afinal eu já tinha cesárea prévia. E toda vez eu dizia, quero um parto normal. E toda consulta ele esquecia dessa informação. Eu já sabia que não teria neném com ele, depois que soube que ele descredenciou do hospital que eu queria ter o bebê então...

Enquanto isso, fui conversando muito com todas as minhas amigas que já tinham tido um parto normal. Minha mãe, a Lilian, Vanessa, várias. Conversei muito com a Denise e a Thais sobre o parto humanizado, as duas já tinham dois partos normais e inclusive partos domiciliares. Achava as duas um pouco loucas e um tanto corajosas por terem parido em casa, mas foi muito bom mesmo conversar com elas, saber onde se orientaram, como foi todo o processo pra elas, quanto gastaram, sou muito agradecida a todas as mulheres que me ajudaram nesse processo! Certo dia conversei com a Gina, uma mulher muito bacana que conheci quando Arthur era bebê. Ela teve parto domiciliar e não sei explicar, sabe aquela pessoa com uma áurea diferente? Nem somos muito próximas, mas senti que poderia conversar com ela e acertei! Ela me deu muitas dicas, muito apoio e me indicou frequentar o GAMA, um grupo de apoio à maternidade, com parteiras, doulas e encontros semanais para gestantes trocarem ideias e aprenderem sobre o mundo humanizado. Depois descobri que a Denise teve seu parto domiciliar com apoio de uma obstetriz do GAMA e tudo foi se entrelaçando.

Dias depois, estava eu na minha primeira reunião do GAMA. Fui e me apaixonei de cara! Tanta informação, um ambiente gostoso , tantas mulheres com os mesmos interesses, medos, planos, me senti em casa! A maioria era mãe de primeira viagem, algumas eram como eu, vindas de uma cesárea sem necessidade e que estavam em busca de um parto com mais respeito. Saí dessa primeira reunião já um tanto empoderada, me sentindo capaz, que eu conseguiria ter meu bebê do jeito que eu quisesse, que eu podia! E viciei, passei a frequentar quase toda semana o grupo. Caí de amores de vez numa quinta em que a Ana Cristina Duarte estava por lá. Não sei explicar, ela é um misto de engraçada, inteligente, informada, forte, tudo junto. Passou uma energia maravilhosa para todas as mulheres presentes, fiquei mais determinada ainda a lutar pelo meu parto humanizado, me informei muito, vi que teria que gastar um dinheiro porque pelo convênio não ia mesmo rolar, descobri que são poucas as causas de uma cesárea necessária. Li muitos relatos de parto, assisti vídeos, conversei com mulheres que se empoderaram e venceram o sistema de saúde mesquinho em que vivemos, enfim, fui me tornando cada vez mais forte e determinada no decorrer da minha gravidez. Toda quinta eu completava uma semana de gravidez e aprendia mais e mais lá no GAMA.

No GAMA eu conheci a Nicolle. Ela já tinha duas meninas por cesárea e estava esperando um menininho. Dessa vez ela queria um parto natural e estava se informando muito para poder fazer acontecer, estava determinada. Numa das reuniões eu contei pra ela que moro na Zona Leste e ela me indicou ir à Commadre, no Tatuapé, um outro grupo de apoio. Dias depois a própria Ana Cristina me indicou ir pra lá também para conhecer a equipe e também a Dra. Camila, obstetra humanizada e que ainda atendia no hospital que eu queria! Ah, e sobre hospital: frequentando o GAMA, estudando, lendo, me informando eu vi que o parto no geral é muito seguro e que em muitos países a mulher não ganha seus bebês com médicos, e sim com enfermeiras ou obstetrizes. Muitos países também apoiam o parto domiciliar e mandam inclusive equipes para auxiliar as mulheres a parirem dentro de casa com segurança e assistência. E o bichinho do parto domiciliar começou a me coçar aí. Tentei conversar algumas vezes com meu marido a respeito e ele achou que eu tinha endoidado de vez. Preferi não pressionar porque pra ele aceitar e me apoiar no parto normal já foi um sacrifício, já que ele é do time dos que acham que a cesárea é o melhor pra mulher e para o bebê. Existe um risco muito pequeno no parto domiciliar e preferi não arriscar, porque caso eu fosse premiada eu teria um conflito eterno com ele e não queria isso. Minha avó materna teve três partos domiciliares em São Paulo, minha avó paterna teve todos, no Piauí. Minhas tias paternas tiveram muitos partos domiciliares também. Uma das minhas tias, a Tota, me contou que teve doze filhos em casa e um no hospital e que esse único filho que nasceu no hospital morreu... e também me contou como era, que uma mulher ajudava a outra, que depois a placenta era plantada no quintal, meus olhos brilhavam com ela contando, rs, achei tão bacana! Já tinha admiração por ela, pela história de vida e luta que ela teve, depois de saber de seus partos fiquei mais orgulhosa!

Mas voltando, rs, no fim estava decidido: teria um parto humanizado hospitalar. Peguei um dia em que teria encontro na Commadre e fui. Dei sorte, nesse dia a própria Dra. Camila estava presente, nos conhecemos e combinei de marcar uma consulta com ela. Estava em cima da hora, já era novembro. Marquei uma consulta para dezembro com ela. No dia da consulta levei todos meus exames e ficamos por volta de uma hora conversando, totalmente diferente dos médicos do convênio. Muito serena, segura, com a fala calma, me perguntou muitas coisas, me explicou outras tantas e combinamos de nos ver de novo em janeiro. Ela me pediu para marcar uma consulta com a enfermeira obstetra no começo de janeiro para nos conhecermos, já que ela estaria no parto também.

O ano virou e minha consulta com a enfermeira chegou. Já simpatizei com a Karina logo de cara, muito doce e segura, conversamos muito também, consulta longa, boa para nos conhecermos. Minha mãe foi comigo dessa vez e também adorou a Karina! Ela me explicou que quando meu trabalho de parto começasse, ela iria em casa me visitar e ver minha dilatação, me acompanhar e quando chegasse minha hora de ir para o hospital, ela iria e chamaria a Dra. Camila. Pedi indicação para ela de uma doula, que comecei a pesquisar no começo da gravidez e fui deixando, deixando... ainda bem que ela me indicou a Pâmella, sem ela meu parto não teria sido como foi! Combinamos de nos ver em duas semanas novamente. Já estava bem cansada, a barriga pesava bastante, ainda estava trabalhando. Apesar de ter engordado bem menos nessa gravidez, estava com muita dor nas costas. Pra piorar, eu parei o pilates, fiz o máximo que pude para preparar o assoalho pélvico e também para fazer alguma atividade física durante a gravidez (amo pilates!). Ainda bem que minha amiga Lia fez a gentileza de me dar de presente uma bola de pilates (que me salvou no meu parto!), que já enchi e usei o mês de janeiro inteiro, tomava banho sentada na bola, era muito relaxante. Nas horas vagas, a bola virou pula-pula, Arthur subia nela e pulava pela casa, rs (obrigada, tia Lia, somos eternamente gratos!).

Na outra semana, vi a Dra. Camila de novo, levei alguns exames, meu strepto tinha dado negativo. Estava na reta final, 38 semanas, já estávamos combinando os preparativos pro parto, tirando as últimas dúvidas. Ela me avisou que quando eu completasse as 40 semanas eu teria que ir ao hospital de vez em quando para ver como a bebê estava e que esperaríamos até as 42 semanas, caso fosse necessário. Estava tranquila, queria que ela nascesse logo, mas aceitaria numa boa se ela quisesse nascer só com 42 semanas. Tendo assistência, sabendo que ela estava bem dentro da minha barriga eu esperaria sem problemas. Também estava aliviada porque o pediatra da equipe, o Dr. Jairo, tinha voltado de férias e caso a neném nascesse, teria um pediatra humanizado para assistir meu parto, que não faria mil intervenções nela. Nesse dia combinei com a Pâmella (que virou minha doula) de nos encontrarmos depois da consulta. Ficamos um tempão conversando, apesar de sua cara de menina ela me passou bastante segurança, falava muito serenamente, com muita calma. Fiquei muito feliz que, apesar de ter sido no último minuto, eu consegui encontrar uma doula tão bacana para me ajudar no parto da Rafa!





Ah, esqueci de falar, consegui alugar um epi-no (graças a ajuda dazamiga do Facebook) e usei algumas poucas semanas antes do parto. É estranho de usar, mas bacana para "prever" a sensação do parto, para treinar o assoalho pélvico e períneo. Tentei fazer as tais massagens perineais, mas não consegui direito. Depois faço um post sobre o epi-no, eu gostei da experiência, achei bem válido!

E essa foi minha última semana grávida...

Continua na parte III

* Update: como pude esquecer! No começo da gravidez eu estava decidida, não queria saber o sexo do bebê. Estava determinada a não saber, mesmo com a pressão da família e amigos e mesmo com a curiosidade aumentando a cada dia que passava. Quando cheguei na metade da gravidez mais ou menos, decidi descobrir o sexo do bebê e aproveitar a descoberta tardia para fazer um chá de bebê revelação! Foi muito legal, ficou tudo do jeito que eu queria! Segurei a curiosidade até quase 30 semanas, quando fiz um ultrasom 3D. Não sei se é pra dar mais emoção, mas no dia do exame eu me enchi de chocolate, alfajor, tudo para a Rafaela se mexer bastante e para minha surpresa o que aconteceu? Ela estava dormindo pesado! O médico cutucava minha barriga, mexia, me mandou andar um pouco, mas de nada adiantou, ela dormia profundamente, com a mãozinha cobrindo o rosto! Resultado: exame remarcado para outro dia! E aí voltei com minha mãe e finalmente o exame deu certo, mesmo com a Rafa dormindo de novo, boneca adormecida, rs. Dias depois o chá aconteceu e ficou tudo lindo, decoramos a mesa metade azul, metade rosa, com cupcakes, copinhos de chocolate, pães de mel, brigadeiros, eu amei o resultado! E o melhor, minha amiga Carolina, da by Carol Cakes, nos presenteou com um MARAVILHOSO bolo todo decorado, um capricho só! Fez o maior sucesso, além de ser delicioso! Um dos andares tinha recheio de trufa de conhaque e o andar da revelação era recheado com muito, muito bicho de pé! Foi muito legal cortar o bolo com meu marido e mostrar pra todo mundo o recheio rosa! Uma lembrança linda pro resto da vida =)



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