quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Medo, medo, medo

Eu ando super medrosa, não é de hoje. Na verdade esse medo começou depois de me tornar mãe.

Antes eu não tinha de medo de quase nada, me sentia à prova de tudo. Tirando meu medo de avião (que só piora), eu não tinha medo de assalto, de acidente de carro, de nada. Aí veio o Arthur e acho que a noção de responsabilidade somada aos hormônios me deixou um pouco medrosa, mas nada demais. Ainda tinha 25 anos, acho que a pouca idade ajuda.

Em 2015 eu tive a Rafaela e esse medo aumentou demais. Acho que a violência aqui em São Paulo também aumentou, então essa conta foi negativa pra mim. Vivo bem assustada e com receio de sair de casa, não ao ponto de ter uma síndrome do pânico ou de deixar de fazer minhas coisas, mas é um ponto que está me incomodando e atrapalhando um pouco.

Quando eu recebo um convite para ir na casa de alguém, já vejo onde a pessoa mora antes, se tem muita fama de assaltos e violência, procuro saber se tem estacionamentos por perto ou se a rua é sossegada para parar, já fico pirando. Se paro num trânsito, já olho pros lados para ver como é a rua para o caso de eu precisar sair dali caso alguém venha me assaltar. Também já decorei o que falar pro ladrão se vierem roubar meu carro, que preciso tirar meus filhos do carro. Loucura, né? Pois há um tempo eu fui ao shopping e fui dar de mamar pra Rafa. Conversando com outras mães, elas compartilhavam da maioria dos meus medos, não me senti tão só.

Mas por que tanta piração? Porque São Paulo é violenta, sempre foi e só piora. Os ladrões perderam a noção, roubar não basta, eles matam por tudo e isso me apavora. A ideia de deixar meus filhos ou perder alguém que amo pra essa violência barata e cruel me aterroriza. Uma grande amiga minha foi assaltada ano passado. Fecharam o carro dela com o marido e filha e roubaram o carro, com armas em punho apontadas para a criança. Minha prima foi visitar uma amiga e na hora de ir embora ela foi rendida por jovens armados até os dentes, para levar seu carro. Ela teve que pedir pelo amor de Deus para tirar sua bebê da cadeirinha.

O que me assusta é essa proximidade que a violência está tendo. Antes eram só notícias de jornal. Hoje são amigos contando que aconteceu com eles, e amigos próximos! Me assusta o grau de agressividade também... porque um bem a gente trabalha e compra outro, mas e a vida?

A solução para essa violência toda eu creio que seja só uma: educação de qualidade para todas as crianças, pública e gratuita. Mas isso fica pra outro post e nem sei se estarei viva pra ver isso... o Brasil não valoriza a educação há muitos e muitos anos, queria que algum político sério viesse e botasse isso em prática. Um país com educação tem muito menos violência...

Espero que a violência diminua um pouco e meu medo também.

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