quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Há um ano atrás...

Há um ano, por vota da 1:30 da manhã, comecei a sentir uma cólica fraca. Fui ao banheiro, um pouco de sangue. Pensei, chegou a nossa hora, Rafa! Estava esperando ansiosa por esse momento, li muito, me preparei o melhor que pude. Não estava com medo, não era meu primeiro bebê, não era meu primeiro trabalho de parto, não estava com medo da dor. Era meu primeiro parto normal, mas eu o queria tanto que o medo simplesmente deu lugar à uma grande força!

2 horas, mando mensagem para minha anja doula Pâmella e conto o que está acontecendo. Ela ruma para nossa casa.

2:30, já estou urrando embaixo do chuveiro quente, dormindo entre as contrações. Pam chega e me doula lindamente, me entende, me anima, me sustenta.

4 horas, já não sei mais bem quem sou. A dor é grande. Falo pra Pam que não aguento mais isso, que quero anestesia. Ela me lembra que sou forte, me apóia, que já chegamos até aqui, que vai dar tudo certo. Minha outra anja parteira Karina chega. Sempre sorrindo, lembro do sorriso largo que ela dá quando me vê no banheiro, gritando e querendo arregar, rs. Constata 10 cm de dilatação. Me pergunta o que quero da vida, hospital ou ficar em casa? Tento andar até a porta para irmos para o hospital, mas não me aguento. Minha vontade é abaixar e ficar ali até você nascer.

Na sequência, um pai e uma avó perdidos chegam, perguntando "e aí, quando vamos para o hospital?" e eu só penso "tipo, não vamos nunca, rs". Ka confirma a dilatação, 10 cm. E eu só pensava "nasce logo, Rafa, vem logo!". A partir daí, lembro tudo de picado: muito grito, muita dor, muito calor, muito suor, muito apertão nas mãos de quem me apoiava (marido, mãe, doula). Optei claramente por ficar em casa, estava segura e feliz com a minha decisão. Confiei em mim, na equipe, em você, Rafa. Sabia que daria tudo certo.
Tentei diversas posições, mas estava alucinando de dor. Queria só que você saísse. Não queria anestesia, não queria hospital, não queria nada, queria que você nascesse. Depois de muitas posições, me encontrei na banqueta de parto. Depois que sentei na banqueta, senti que ia acontecer. Era madrugada ainda, a casa escura, apenas com luzes de lanternas. Karina me mostrou, com ajuda de um espelho, os seus cabelinhos ainda dentro de mim. A bolsa estava íntegra, dava para ver a bolsa e o líquido, foi lindo de ver. Fiz algumas forças, a impressão que tive é que foram duas só para nascer, mas devem ter sido mais. Ouvi o ploc da bolsa estourando e logo depois, você escorrendo para fora. Veio direto para meu colo, fiquei chocada por ter parido em casa, sem anestesia, chocada por ter tido outro filho, por tudo. Olhava pra você e simplesmente não acreditava que aquilo estava acontecendo! 
Nem me lembro de chorar, mas depois vi nas fotos que eu chorei de emoção sim. Abracei e dei as boas vindas pra você, ainda incrédula. Depois que a placenta nasceu, fui para meu quarto. Quando você tomou a vitamina K, eu ainda estava tão em alfa que nem me toquei de por um dedo na sua boquinha para chupar e se acalmar, judiação. Logo você tentou mamar um pouco, mas a preguiça extra-uterina era tão grande que você só dormiu durante o primeiro dia todo. Nasceu 5:40 da manhã, dia ainda clareando! Dormiu, dormiu e dormiu no meu colo. Seu irmão veio te conhecer, os nossos, gatos, vovô, vovó, tio Gugu, tia Lilian, tio Leandro. Fiquei te admirando, vendo sua orelhinha mínima, seus dedos, sentindo seu cheiro único de recém-nascida. Esse cheiro eu guardo na lembrança até hoje, um cheirinho maravilhoso que durou 24 horas até seu primeiro banho... me emociono em relembrar tudo isso, foi tudo tão especial...

Todo ano vou me lembrar de cada detalhe da sua chegada, com amor, emoção, saudade. Sua chegada foi tão especial, Rafa, você não tem ideia... guardo tudo na lembrança com todo amor possível! Te amo, filha, assim como seu pai, irmão e toda nossa família! Você nos completa! Parabéns =)

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