quinta-feira, 21 de abril de 2016

Amamentando a Rafa e mordendo a língua

Antes de ser mãe, eu sempre achei esquisito aquela criança grande, que anda, mamando no peito. Aí tive o Arthur, que mamou exatos seis meses e continuei achando esquisito, afinal, o "normal", o "aceitável" é mamar até uns seis, nove meses no máximo, né? É tomar NAN, Aptamil, não?

Não.

Depois que tive o Arthur, passei a me informar mais, a ler muito e conheci o mundo da humanização. Eu não me sentia culpada, mas tinha alguma coisa lá dentro que me incomodava, como se eu tivesse perdendo alguma coisa, não sei dizer. Como se eu tivesse feito algo errado, ou pelo menos que pudesse ter feito diferente. 

Quando Arthur era bebê, já vi escolinha para por. Como eu voltaria a trabalhar quando ele estivesse prestes a completar sete meses, eu imaginei que a amamentação pararia por essa época. Na escolinha, fui informada que ele tinha que entrar mamando mamadeira, adaptado à fórmula. E achei que era a regra, né? Sempre ouvi dizer que é raridade escolinha dar leite materno para as crianças. E realmente ele foi para a escola acostumado ao Aptamil 2. E em quinze dias ele largou meu peito. Deu aquela tristezinha, claro, mas eu tinha que trabalhar e não queria meu bebê sofrendo na escola com saudade de mim ou vontade de mamar no peito. Nem cogitava tirar meu leite no serviço para estocar. 

Aí veio a Rafaela e com ela, um plano diferente. Ficaria em casa mais tempo. Tentaria amamentar mais. Retardaria a entrada da mamadeira na vida dela. E assim seguimos. Mamou até os seis meses exclusivamente e depois disso, seguimos com o peito e as comidinhas e frutas. Aí ela fez sete, oito, nove meses, um ano... e hoje seguimos firmes, 1 ano e 2 meses amamentando exclusivamente, sem outros tipos de leites. Não é fácil, não é rosa de florzinha. Mas compensa. 

Confesso que tentei dar fórmula e leites para ela depois que ela fez um ano, por dois motivos: necessidade e sossego. 

Explico: dias depois que ela fez um ano, tive uma crise renal e fui internada por três dias. Minha mãe coitada, ficou maluca com ela, que só chorava. Tirava leite no hospital, mas era um leite contaminado de remédios e que ela não poderia tomar... foi triste e sigo até hoje tentando de vez em quando dar um Ninho ou outro leite. Também queria que ela tomasse um leite para eu poder sair um pouco a noite com o maridão, confesso, rs. Mas ela não toma e até hoje saímos uma vez apenas, por 3 horas. E a Rafaela? Ficou até 3 da manhã esperando a gente voltar, mamou DOIS MINUTOS e caiu dura dormindo! 

E moral da história, mordi a língua, já que Rafa é aquela criança grande, que anda e corre, vem, pede um peito, sai correndo e por aí vai. E sem planos para desmame por enquanto. Rolou um sustinho com a história das pedras nos rins de ter que desmamar pelos remédios, mas por enquanto esse assunto está no gelo. 

E que venham mais meses!

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