segunda-feira, 27 de junho de 2016

Preocupação com P maiúsculo

Antes de ser mãe, eu nunca tive uma preocupação com P maiúsculo.

Passei uns apuros, uns sustos, senti uns frios na barriga. Mas nada que me deixasse realmente angustiada. Já me faltou grana, já tive pepino bravo para resolver, prova difícil para passar, TCC dusinferno para fazer. Mas nada que preocupasse ao ponto de me deixar dias sem dormir. 

Arthur nasceu há cinco anos e na maternidade já comecei a me preocupar. Ele nasceu quase meia noite e foi pro berçário. Eu fui pro quarto depois de me recuperar da cesária e fiquei esperando, esperando e nada dele vir pro quarto. Ligava pro berçário e diziam "calma, mãezinha, daqui quinze minutos ele vai". E não vinha. Nessa fiquei até sete da manhã esperando ele chegar, agoniada. Ele chegou, não queria que fosse mais embora do quarto. Pensava, para que deixar o bichinho no berçário se ele pode ficar comigo? Aí ele no segundo dia a noite ele começou a chorar, chorar e chorar de fome. E eu preocupada porque meu leite não descia (mesmo tendo entrado em trabalho de parto, demorou uns três dias para descer meu leite nos dois filhos). E aí me preocupei se teria leite, se saberia dar banho, se daria conta. Me preocupei com as vacinas, com o teste do pezinho, da orelhinha. Me preocupei se não seria trocado na maternidade, se ele era perfeito, se tinha todos os dedinhos, se ouvia, se enxergava, se eu seria uma boa mãe, se o carro tinha uma cadeirinha adequada e se a mesma estava amarrada direito, se o inverno seria muito rigoroso, se o aquecedor que compramos funcionaria bem, se ele estava suficientemente agasalhado, se encontraria um bom pediatra (afinal ele tinha que passar em consulta com 10 dias de vida), se, se, se.

Isso tudo na primeira semana. 

E aí ele foi crescendo. E me preocupei se a escola que escolhi seria boa pra ele, se ele se adaptaria. Se ele continuaria mamando no peito, se meu leite o sustentava. Ele levou uma mordida feia de cachorro com um ano, me senti um lixo, culpada, me preocupei se ele sararia logo, se ficaria uma cicatriz feia. Ele demorou para falar, levei no neuro, na fono, para ver se estava tudo bem.

Fiquei grávida da Rafa, segundo filho a gravidez voa! Nem me preocupei tanto, mas claro, né, me preocupei se ela era perfeita, cada ultrassom era um frio na barriga. Me preocupei com meu parto, que deu mais que certo, mas deu aquele medo de ter que fazer outra cesária, de não dar para pagar, de não ter leite. Ela nasceu, perfeita e aí veio o medo do Arthur sofrer, de não dar conta de dois filhos. Optei por me afastar do serviço por um bom tempo, e aí me preocupei se o dinheiro faria falta, se ficaria muito ociosa, triste por não trabalhar (e realmente trabalhar me fez uma falta danada, mas compensou ficar com as crianças).

Arthur está crescendo, mudou de escola e não acompanhou. Sofria por não saber, chorava. E eu, chorava junto durante a madrugada, sem conseguir dormir e pensando no que fazer para ajudar meu filho. Preocupada se ele estava bem, se estava certo o que estava fazendo, se ele era feliz. Questionando minhas atitudes, minha maternagem. Mesmo fazendo tudo com o maior amor e boa intenção possível, me sinto sempre errando, nem que seja na menor coisa... sei que preciso relaxar um pouco, não sou perfeita e estou longe disso (meus filhos comem salgadinho e papinha Nestlé, rs), mas a preocupação com eles é grande e constante. Não quero ser perfeita, mas quero eles bem e felizes e isso não é nada fácil... espero que com o tempo eu fique mais leve, mas acertando na medida do possível e que meus filhos sejam felizes! Vai ter tristeza, vai ter desafio, vai ter frustração, claro, eu sei. Mas que todos nós lidemos bem com os percalços!



Das coisas da vida de mãe...

Amo vocês!

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